Vaso de solidão-Participação da Leitora

(Pode parecer muito grande, mas vale a pena ler, o texto é lindo)

Foi-se o tempo em que ela podia encontrar consolo nos vasos, aqueles em que ela dedicou sua vida inteira a fazer e guardar todos, pois eram um lembrete de que a felicidade existe mesmo que apenas em suas lembranças…

Em meados de maio de 1789, Paris na França, época da Revolução Francesa uma jovem morena com seus raríssimos olhos violetas, entra na botica e cumprimenta algumas mulheres, enfim vai em direção à boticária e pede os tais remédios de seu pai, depois de pagar se despede. Anos mais tarde, ao se lembrar desta manhã, ela não tinha certeza do que a fizera erguer o olhar novamente, alterando o rumo de sua vida para sempre. Ao levantar os olhos, viu um jovem de cabelos escuros, estonteante de parar o coração.
Ele parecia selvagem e audacioso, com um jeito de ser e uma alegria que contagiava á todos, usava roupas pretas e simples, porém elegantes, sua pele morena clara refletia o sol daquela manhã de verão, seu cabelo preto e bagunçado apenas lhe dava um ar mais juvenil e descontraído, e de momento sorriu àquela moça, que o fazia se lembrar do céu, em algum momento em sua vida em que a alegria reinava livremente. Ele sentiu a respiração se esvair de dentro dele, pois estava diante da filha de um dos senhores mais famoso da cidade, ele nunca a vira, a não ser por falar, afinal, qual outra moça naquele lugar teria os olhos de um anoitecer tão profundo e um sorriso tão terno e educado?

De momento ela sorriu e desviou o olhar, em seguida, foi se deixando levar pelo vento que batia, e logo, com um impulso louco de razão e força de vontade, saiu correndo de perto dele, por mais que seus pés a prendessem no lugar ela correu, e chegando a casa teve que se segurar para não gritar com a notícia que viria a seguir. John era este o nome do fulano, o problema dele? Ela estava noiva daquele cara que mal via de relance e não conhecia. Ele estava sentado tranquilamente em uma poltrona em sua sala, com roupas claras e formais, cabelos penteados e loiros, olhos cinza e fugazes. Ele é daquela espécie de pessoas duas caras, e sua fama se alastrava pela cidade, de manhã encarnava suas vestes formais de trabalho e à noite seu papel era o de bêbado e farreado tudo acompanhado de muitas mulheres. Porem esta sua segunda vida era famosa junto dos mais pobres, o que não era o caso da família dela, em que defendiam firmemente o rapaz.
Rosaline, este é seu nome, esta e que agora esta confusa, desolada, sozinha e aflita, isso sem falar que seu estado emocional aumenta sempre de proporções por ela ser tímida e simples. Possui um sorriso nos olhos que raramente chega aos lábios, de alma corajosa, porém inconfiante aguenta de cabeça baixa e sem titubear ou lamentar, simplesmente aceita o destino que a sorte lhe concedeu. É fácil e pratico, sem sofrimentos, a vida dela apenas será mais remota e infeliz do que já é. Seria, seria fácil, seria prático, seria remoto e infeliz, isso, antes, antes dele, antes da vida e seu coração mudarem, antes de sua alma ansiar por libertação de vida. Essa vida que ele trouxe, que não se via em seus olhos, nem em seus gestos, ela mudou e enquanto a família pensa que é por satisfação com o casamento, mal sonham que é com a satisfação dos pensamentos pouco, porém doces em que ele esta, é diferente, é único, e para ela é raro – justo ela que pensou que nunca iria chegar alguém de repente, que mudaria a sua vida totalmente – ela já perdera as esperanças e o que restava ficou enterrado em seus pensamentos mais antigos.

Ela estava pensando, na vida, no passado, em um de seus lugares favoritos no mundo – o jardim de sua casa – com árvores carregadas pendendo ao sol, e roseiras perfumadas por todos os lados, este paraíso deveria ficar dentro da propriedade, mas não ficava, e por isso quanto ouviu um farfalhar de passos estalando nas folhas secas do chão, não pensou na mais remota possibilidade de ser quem ela estava pensando, porque ele não conhecia este local, apenas ela e suas poucas amigas sabiam da existência, mas talvez, como todos esses grandes mistérios entre o céu e a terra, ele tenha vindo ao acaso. Sentou ao lado dela e a fez o encarar, depois de conversarem – de ele falar e ela escutar – ele resolveu ao menos se apresentar.
– Você não sabe meu nome, não é? Amada donzela?

Fez que não com a cabeça, enquanto por dentro quase morria e renascia de novo, virava uma fênix ambulante, mal podia esperar para ouvir daqueles lábios o resto das palavras.

– Pois então, sou Robert – e com um carisma e alegria exuberantes – muito prazer, estarei ao seu dispor, senhorita…
– Rosaline – mal acreditava no que dizia e ainda hoje perdoa-se por falar tantas bobagens fúteis naquele dia, mas ela realmente não estava com o controle total de seu cérebro – mas pode me chamar de rose – engoliu em seco e respirou fundo, dizia a si mesma, para ter calma e não passar mal, ou pior, gastar o seu tempo com mais alguma frase besta.
Ele pegou uma rosa que estava sabe-se lá onde e entregou á ela, uma rosa vermelha manchada de branco. Depois de tantos convites ele conseguiu fazê-la levantar de lá e ir até o seu local de trabalho, uma espécie de atelier com equipamentos que rodavam, e terra por todo lado. Ele era fabricante de vasos, vasos de barro e era responsável por todos os passos para a perfeição, cada um era único –dizia – pois cada ser humano é único, de modo que ele sempre consertava com perfeição as obras que quebravam. O lugar estava vazio, sua mãe que o ensinara estava no centro da cidade, e tardaria a voltar. Ele se sentou em um banquinho, de frente para uma maquina, e convidou Rose a se juntar a ele, em seguida pegou argila de um potinho e a foi moldando, depois juntou os dedos de Rose nos seus – o que claramente fez-se um fracasso porque o lindo vaso virou um monte deformado de argila. Passaram a tarde e o começo da noite assim, ela pode afirmar francamente que nunca fora tão feliz na vida quanto fora aquele dia. E sinceramente? Aquele vaso simples e de barro que depois fora pintado e decorado por Robert, é uma das maiores joias de Rose, e talvez ele fosse feito, não de argila, mas de ouro ou de amor.
Hoje em dia, depois de tantos acontecimentos, vinte e cinco anos depois, ela ainda mantém todas as suas criações artísticas guardadas em casa, foi o que aprendeu o que garantiu sua sobrevivência em um mundo que não era dela. No entanto sua raiva e angustia fez com que na noite passada ela os atirasse todos pela janela e os espatifasse no chão, em quanto se derramava em prantos e surtos de loucura e raiva, de lamento mal deprimido e de medo, medo da solidão.
O seu marido, ao qual fora obrigada a se casar, atualmente soube da verdadeira paixão de sua esposa e fugiu para longe com alguma mulher do cabaré, a quem chama gentilmente de namorada. Deixou esta pobre humana com a casa e uma filha. A casa não é o mais importante – poderia morar na rua se tivesse seus dois maiores tesouros – a filha e seu vaso são as joias que a vida lhe deu e não tirou. Quanto ao seu amor verdadeiro, a procurou naquele tempo e se encontraram diversas outras vezes, de modo que ao se casar com Jonh – ele nem suspeitava – que a esposa já estivesse com um filho e que este fosse a razão pela qual ela viveria até agora “Ela é um pedaço da minha riqueza mais importante, poderosa e valiosa” – e com isso John realmente achava que se tratava dele, que a filha de sua esposa fosse dele também, a garota linda e ruiva de olhos verdes era a raridade da vida da mãe, é a felicidade. E hoje seu marido soube de tudo ao ver Rose no velório, chorando descontrolada ao pé do caixão de Robert, enquanto ela se casava, ele foi lutar na guerra e se correspondia com a amada por cartas, mas depois as cartas não vieram mais, e seus dias ficaram cada vez mais sombrios, até que se soube do acontecido e de sua morte.
O único sobrevivente da ira de destruição da Rose foi o primeiro vaso. Ela o pegou e o acariciou como sempre fazia, como que para lembrar a si mesma que aquilo tudo foi real, e ainda podia sentir a textura de seus dedos e o encanto daquele dia.

Foi quando se deu conta de que era leve, ela era leve, sentia-se como se flutuasse num mar sem fim de calmaria e aconchego, lá não tinha solidão era protegida como se estivesse nas assas de um anjo e ao levantar os olhos, viu um jovem de cabelos escuros, estonteante de parar o coração, que lhe deu uma rosa, contou que naquela vez em que a achou no jardim de casa foi obra do amor e ligação dos dois, que a rosa tirada do nada era mais uma prova da natureza que eles eram feitos um pro outro, e mais um dos mistérios da vida, e lhe deu a opção de voltar e viver ou ir com ele – mas ela não podia fazer isso, por mais que quisesse não podia, ela tinha que cuidar do fruto do amor dos dois, da sua filha que hoje tem dezoito anos. Ela teve de voltar. Sentou-se à poltrona mais uma vez, desde que se acalmara, pegou papel e caneta de pena, deixou uma carta á sua filha explicando tudo. Ela seria feliz, ela tinha o seu próprio Robert, tudo ficaria bem. Quando estava prestes á voltar para junto de seu amado, Charlotte, filha de Rose, entrou e percebeu o que a mãe fazia. Despediram-se e choraram, de fato, seria o melhor para Rose, que depois de tanto sofrimento seria feliz de novo, talvez eternamente, talvez seguidamente, tanto faz, o que importa é que ela estava junto de seu “vaso” precioso.
Samira Oliveira, lindo o texto, blog dela aqui
Quer participar aqui também? envia um email: cantinhodamenina_crista@hotmail.com
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13 Comentários

  1. Uau! Gente, que texto lindo! Essa menina é uma poeta, poderia até escrever um livro, escreve muito bem..

    http://princesacrista.blogspot.com.br/

    Responder
  2. Que texto lindo! Fiquei apaixonada por ele, achei muito bom mesmo, hehe. li inteirinho em três minutos.
    Um beijo!

    Responder
  3. Aiiin meu pai que enorme.. agora to sem tempo mas quando tiver venho aqui ler o texto flor !

    BEIJÃO, IANA PAULINHA
    http://ianapaulinhaaaa.blogspot.com.br/

    Responder
  4. Que lindo, valeu apena ler completo 🙂

    http://www.blogmundodamoda.com/

    Responder
  5. Liindo texto, tenho prazer de ler e conhecer coisas novas rs
    Beijos amiga 🙂

    http://www.blogdapauliinha.com/

    Responder
  6. Que linda essa história, não gostei muito do final. hihi

    Beijos; @Raah_Castroo
    http://www.vidaadegarotaa-vdg.blogspot.com.br

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  7. O texto é maravilhoso li tudinho^^
    Menina tu escreve muti bem.
    Beijos^^

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  8. Meu Deus, que compridaaaa, mas valeu apena ler! A história é muito linda! Essa menina pode ser uma grande escritora!
    Beijos

    blogmodaonline.blogspot.com

    Responder
  9. kkkkkkkkk. Texto um pouco grande, mas como você disse que valeria a pena ler, eu li, muto bom mesmo!

    O Acesso Permitido está comemorando seu aniversário com o FAAP – a maior festa do blog – venha visitar!..
    Acesso Permitido – FAAP –

    Responder
  10. que lindo amei ^^
    s2hay.blogspot.com

    Responder
  11. ai o final nao me agradou muito, mais curti o texto ]~~
    http://garotoonerd.blogspot.com.br

    Responder
  12. Oi linda, obrigada por postar! Gostei dos comentarios, muito obrigada mesmo.
    Hahaha, o final é complicado, obrigada mesmo.
    Se precisar de alguma coisa, estou aqui. ok?
    bjão
    lamourmonage.blogspot.com

    Responder

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  • Olá! Me chamo Esther Sampaio, tenho 14 anos e sou de Salvador/Bahia. Blogueira desde 2011, recentemente mudei o meu blogger Cantinho da Menina Cristã para o wordpress, com um nome mais pessoal. Nasci em lar cristão, sou apaixonada por livros e maquiagem desde pequena; não sou nada tímida, gosto de ajudar as pessoas. Quero cursar Psicologia e Design Gráfico. Se sintam a vontade para opinar aqui. Beijos!

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